domingo, 1 de janeiro de 2012



 Caía, a tarde feito um viaduto,
 
 E um bêbado trajando luto,
 
 Me lembrou, Carlitos,
 
 A lua,
 
 Tal qual a dona do bordel,
 
 Pedia a cada estrela fria,
 
 Um brilho de aluguel,
 
 E nuvens,
 
 Lá no mata-borrão do céu,
 
 Chupavam manchas torturadas,
 
 Que sufoco,
 
 Louco.
 
 O bêbado com chapéu coco,
 
 Fazia irreverências mil,
 
 Pra noite do Brasil,
 
 Meu Brasil
 
 Que sonha
 
 Com a volta do irmão do Henfil,
 
 Com tanta gente que partiu,
 
 Num rabo de foguete,
 
 Chora,
 
 A nossa Pátria-Mãe Gentil,
 
 Choram Marias e Clarisses,
 
 No solo do Brasil,
 
 Mas sei,
 
 Que uma dor assim pungente,
 
 Não há de ser inutilmente,
 
 A esperança
 
Dança,
 
 Na corda bamba de sombrinha,
 
 Em cada passo dessa linha,
 
 Pode se machucar,
 
 Azar,
 
 A esperança equilibrista,
 
 Sabe que o show de todo artista,
 
 Tem que continuar.

 
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Música: O Bêbado e a Equilibrista
Autoria: João Bosco e Aldir Blanc

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