Todo dia, devíamos ler um bom livro, uma boa poesia, ver um quadro bonito, e, se possível, dizer algumas palavras sensatas. Goethe
terça-feira, 24 de julho de 2012
“Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto. Bastante assunto. Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba. Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos. Também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.”
| — | Tati Bernardi |
“E você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta. Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.”
| — | Tati Bernardi |
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Por fim, pare de pensar.
É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias,
sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira,
maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as
justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o
mundo quis assim” . Sem essa. - Martha Medeiros
domingo, 15 de julho de 2012
"Perdi
meu tempo
querendo seu tempo.
E de tempo nenhum eu tive,
então é esperar que com o tempo cicatrize."
querendo seu tempo.
E de tempo nenhum eu tive,
então é esperar que com o tempo cicatrize."
— Thiara Macedo (sdpm)
"Cansado.
Tu olhas para o teto imaginando mil coisas,
memórias, compromissos, desejos,
saudades. Te fito com dor. A luz
do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir
emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que
desconheço, nossas aproximações foram
sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás.
Retrocessos. Descaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites
passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te
observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração
apertado. Nós
poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias
as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe
pela manhã aos beijos num hotel em Paris.
Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa
indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus
dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos,
duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas
subentendidas, possibilidades de
surpresas boas. Ou não. Difícil saber.
Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso
entrar. (…) E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro."
- Caio Fernando Abreu.
"E me
perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar
explicação pra vida. Explicação mesmo, eu sei: não há. E me agarro no meu
sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E esse mesmo coração que me guia
e não quer grades nem cobranças, às vezes me deixa sem rumo, com uma
interrogação bem no meio da frase: O que eu quero mesmo? Por isso, eu te peço
(de um jeito meio sem-vergonha, que é assim que eu costumo ser): se eu gostar
de você, tenha a gentileza de não me deixar tão solta. Não me pergunte aonde
vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir por que
o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a delicadeza
de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio
gato, meio gente. Desconfiada. E independente. E adoradora de todos os luxos e
lixos do mundo. Quer me prender? Nem tente. Quer me adorar? A escolha é sua,
meu amigo, vá em frente!"
- Fernanda Mello.
"Aprendi com os
meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais
aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que
você queria muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de
se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que
elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se
lamentar." Nobody said it was easy(...) ♪
Amigos, vodka e
dias incríveis
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Delirium
Delírio é a mais jovem dos Perpétuos.
Ela cheira a suor, vinho azedo, noites tardias e couro velho.
Seu reino é próximo e pode ser facilmente visitado. As mentes humanas, porém, não foram feitas para compreender seu domínio, e os poucos que viajaram até ele conseguiram relatar apenas fragmentos perdidos.
O poeta Coleridge afirmou tê-la conhecido intimamente, mas o sujeito não passava de um mentiroso inveterado. Portanto, devemos duvidar de cada palavra sua.
Sua aparência, um amontoado de idéias vestidas no semblante da carne, é a mais variável de todos os Perpétuos. A forma e o contorno de sua sombra não têm relação com a de nenhum corpo que estaja usando. Ela é tangível como veludo gasto.
Alguns dizem que a grande frustração de Delírio é saber que, apesar de ser mais velha que as estrelas e mais antiga que os deuses, ela continua sendo eternamente a mais jovem da família, pois os Perpétuos não medem tempo como nós nem vêem mundos através de olhos mortais.
Um dia, Delírio também já foi Deleite. E, embora isso tenha sido há muito tempo, ainda hoje seus olhos têm matizes diferentes: um é verde-esmeralda bem vivo, salpicado de pontos prateados que se movem incessantemente; o outro é do mesmo azul que esconde sangue dentro de veias mortais.
Quem pode saber o que Delírio vê através de seus olhos desiguais?
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