terça-feira, 24 de janeiro de 2012

    Beijo na boca todas as prostitutas,
    Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
    A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos
    E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
    Tudo é a razão de ser da minha vida.
    Cometi todos os crimes,
    Vivi dentro de todos os crimes
    (Eu próprio fui, não um nem o outro no vicio,
    Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
    E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).
    Multipliquei-me, para me sentir,
    Para me sentir, precisei sentir tudo,
    Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
    Despi-me, entreguei-rne,
    E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
    Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,
    E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.
    Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros, 
    Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas, 
    Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares
    Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
    Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
    E todos os pederastas - absolutamente todos (não faltou nenhum). 
    Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!
    (Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louro, branco e eu amava-te, 
    Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!)
    Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver, 
    Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas famílias felizes, 
    Viveram em ti os meus olhos e o meu braço cingido e a minha consciência incerta,
    A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim,
    Os seus half-holidays inesperados...
    Mary, eu sou infeliz...
    Freddie, eu sou infeliz...
    Oh, vós todos, todos vós, casuais, demorados,
    Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim, sem que o fósseis, 
    Ah, quão pouco eu fui no que sois, quão pouco, quão pouco —
    Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjetivo universo, 
    Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento, 
    Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!
    Passa tudo, todas as coisas num desfile por mim dentro,
    E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim ...
    Meu coração tribunal, meu coração mercado, 
    Meu coração sala da Bolsa, meu coração balcão de Banco,
    Meu coração rendez-vous de toda a humanidade,
    Meu coração banco de jardim público, hospedaria,
    Estalagem, calabouço número qualquer cousa
    (Aqui estuvo el Manolo en vísperas de ir al patíbulo)
    Meu coração clube, sala, platéia, capacho, guichet, portaló,
    Ponte, cancela, excursão, marcha, viagem, leilão, feira, arraial,
    Meu coração postigo,
    Meu coração encomenda,
    Meu coração carta, bagagem, satisfação, entrega,
    Meu coração a margem, o lirrite, a súmula, o índice,
    Eh-lá, eh-lá, eh-lá, bazar o meu coração.
    Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
    Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
    Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
    Atravessaram a rua, ao meu braço, todos os velhos e os doentes,
    E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.
    (Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu não tenho, 
    Em cujo baixar-de-olhos há uma paisagem da Holanda, 
    Com as cabeças femininas coiffées de lin
    E todo o esforço quotidiano de um povo pacífico e limpo... 
    Aquela que é o anel deixado em cima da cômoda,
    E a fita entalada com o fechar da gaveta,
    Fita cor-de-rosa, não gosto da cor mas da fita entalada,
    Assim como não gosto da vida, mas gosto de senti-la ...
    ...
    Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,
    Declina dentro de mim o sol no alto do céu.
    Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
    Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?
    Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstrata,
    Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
    Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,
    Calcar, calcar, calcar até não sentir.
    Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
    Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.
    ...
      Meu ser elástico, mola, agulha, trepidação ...
      Álvaro de Campos, 22-5-1916


Antes disso eu nunca fora arrebatado por amor tão súbito e doce
Seu rosto vicejava como se uma flor fosse
E assim meu coração foi roubado  
Walt Whitman



"Quem anda duzentos metros sem vontade
anda seguindo o próprio funeral
vestindo a própria mortalha..."

Walt Whitman

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais... 

Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas
as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Mário Quintana

terça-feira, 3 de janeiro de 2012


Se Eu SoubesseChico Buarque
Ah, se eu soubesse, não andava na ruaPerigos não corriaNão tinha amigos, não bebiaJá não ria à toa
Não ia enfim, cruzar contigo jamaisAh, se eu pudesse, te diria, na boaNão sou mais uma das taisNão ando com a cabeça na lua
Nem cantarei 'eu te amo demais'Casava com outro, se fosse capazMas acontece que eu saí por aíE aí, larari larari larari larara
Ah, se eu soubesse, nem olhava a lagoaNão ia mais à praiaDe noite não gingava a saiaNão dormia nua
Pobre de mim, sonhar contigo, jamaisAh, se eu pudesse, não caía na tuaConversa mole outra vezNão dava mole à tua pessoa
Te abandonava prostrado aos meus pésFugia nos braços de um outro rapazMas acontece que eu sorri para tiE aí larari larara lariri, lariri
Pom, pom, pomAh, se eu soubesse, nem olhava a lagoaNão ia mais à praiaDe noite não gingava a saia
Não dormia nuaPobre de mim, sonhar contigo, jamaisAh, se eu pudesse, não caía na tuaConversa mole outra vez
Não dava mole a tua pessoaTe abandonava prostrado aos meus pésFugia nos braços de um outro rapazMas acontece que eu sorri para tiE aí larari larara lariri, lariri 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012





“Você me provoca, você me pertuba. Joga água e sai correndo. Atira a pedra e me acerta de raspão. Me espia no escuro e mostra a língua. Me xinga. Me atiça. Invade o meu sossego. Meu refúgio. Pisa no meu ninho com os sapatos sujos. Na minha toca. Sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos. Você me provoca sem esperar a picada. Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno…”
# Caio Fernando Abreu (;

domingo, 1 de janeiro de 2012


Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias, felicíssimo por uns instantes, em outros instantes achar que ficou maluco...


Até eu mesma me surpreendo. Detesto rotina e prêmios de consolação. Eu gosto do brilho. Do colorido. Mas às vezes preciso do fosco, do preto, do branco. Gosto da adrenalina. Do frio na barriga. Descrição não é o meu forte. Mas às vezes necessito ficar quieta no meu canto. Gosto de risada alta, de pular de alegria. Porém, curto os meus momentos de desilusão com gosto pra dar a volta por cima e rir muito depois. A fossa sempre me deixa mais forte. E eu gosto de surpreender. Gosto de refrigerante quase congelado e de café pelando de quente. Só depende do dia. Sou imprevisível. Grito rindo e grito chorando. Eu sou extrema e não há quem me mude. Minha vida é um parque de diversões. E eu arrisco ir nos brinquedos mais radicais. Minha vida é um cinema de comédia, de amor, de drama. E eu sou uma ótima protagonista para todos os estilos. Só não acho graça que a minha vida seja sempre a mesma. Eu sim posso ser a mesma, mas dentro de mim existem várias. Dentro de mim existe uma mulher fraca, outra forte, uma triste, outra alegre, uma persistente, outra desiludida, uma feia, outra bonita. Eu sou um pouco de tudo e gosto disso. Gosto de ter sabores diferentes. Amo ser doce pra quem merece, ser ardente quando quero, ser amarga pra quem não vale a pena. Não sou má, mas também não sou boazinha. Tenho meus picos de maldade. Mas não se assuste: são poucos. Eu sou humana, mas meio objeto, meio bicho. Sou gata, sou leoa, sou cachorro amigo, sou pássaro voando e cantando. Sou edredom macio e cheiroso, sou chave que abre a porta pra liberdade. Adoro desafios. E adoro que me desafiem. O jogo e a peleja me motivam. Eu acho lindo vestido branco, véu e grinalda, mas também me seduz vestir um vermelho berrante com um decote ousado. Eu sou mais sonho que realidade. Eu sou mais céu que chão. Mas não se engane! Embora sendo um pouco maluca eu tenho cabeça no lugar. Eu não sou tola, eu não sou burra, mas às vezes me faço pra passar bem. Eu sei muito bem com quem ando, muito bem onde piso, sei dos perigos que corro, mas adoro me aventurar. Acho graça no que ainda não tem definição e resposta. No entanto, às vezes preciso de certezas, pois o mundo cobra vida concreta e não abstrata. Essa sou eu. Uma nova velha, uma idosa jovem, sou um sol meio luar, sou o arco-íris que vem depois da chuva, o temporal que vem depois do tempo bom. Sou imprevisível.


De mim, que tanto falam
Quero que reste o que calei
Que tanto rezam por mim
Quero que fique o que pequei
De mim, que tanto sabem
Quero que saibam que não sei...


Primeiro sonho de 2012

Princesa Lu,

Ao fechar os olhos estava eu e você na grande Lagoa de Belo Horizonte...

Esta você vestida de branco... O vento sobrava seus cabelos longos e negros e o sereno leve da chuva tocava suavemente seu rosto.

Você de mãos dadas, mas sozinha...

O moço chegava de camisa branca, bermuda saruel branca e chinelo...

Moço solteiro...

A chuva caia sobre a lagoa como se fosse um cardume de peixes apaixonados sobre a superfície da lagoa esperando os fogos do da virada.

A brisa dividia em partes iguais... agora acariciando as faces do moço e da princesa.

O moço sozinho e a princesa de mãos dadas, mas sozinha...

12hsAm os fogos sobem contra a chuva que não quer apagar o brilho da festa mas falta os abraços e assim o céu fica iluminado de faíscas da felicidade que se mistura com as gotinhas de chuva que bate na água que reflete o brilho dos fogos no céu.

E todos aqueles que ali estavam se abraçaram mesmo aqueles que nunca haviam se visto antes se abraçaram...

Eles se olharam... olhos nos olhos e nesse momento coração acelerou... Perfume gostoso que se mistura ao novo ar do novo ano... Princesa Lu... Homem Moço... a chuva aumenta e são 12:02 Am do novo ano ... Eles se olharam e não se abraçaram...

O povo se juntou para esconder da chuva e os dois ficaram ali mais próximos e espremidos entre os outros participantes que assistiam o espetáculo ao redor da lagoa.

12:04hsAm o moço frente a frente com a princesa que já soltava as mãos afim de tocar o moço...
12:05hsAm os últimos fogos brilham no céu e o desejo realizado... 
Eles se abraçam confortavelmente... Encaixe perfeito s como o champanhe e a taça ! 

“O amor e a arte não abraçam o que é belo, mas o que justamente com esse abraço se torna belo.” (Karl Kraus )

Após o abraço eles tiveram que acordar de olhos fechados... Estavam em locais diferentes na mesma cidade de Belo Horizonte - MG

“Sempre antes de realizar um sonho, a Alma do Mundo resolve testar tudo aquilo que foi aprendido na caminhada. P.C.” (Paulo Coelho)

“Felizes os que sonham, ainda que não possam realizar os vôos.” (Afonso Duarte de Barros)






 Caía, a tarde feito um viaduto,
 
 E um bêbado trajando luto,
 
 Me lembrou, Carlitos,
 
 A lua,
 
 Tal qual a dona do bordel,
 
 Pedia a cada estrela fria,
 
 Um brilho de aluguel,
 
 E nuvens,
 
 Lá no mata-borrão do céu,
 
 Chupavam manchas torturadas,
 
 Que sufoco,
 
 Louco.
 
 O bêbado com chapéu coco,
 
 Fazia irreverências mil,
 
 Pra noite do Brasil,
 
 Meu Brasil
 
 Que sonha
 
 Com a volta do irmão do Henfil,
 
 Com tanta gente que partiu,
 
 Num rabo de foguete,
 
 Chora,
 
 A nossa Pátria-Mãe Gentil,
 
 Choram Marias e Clarisses,
 
 No solo do Brasil,
 
 Mas sei,
 
 Que uma dor assim pungente,
 
 Não há de ser inutilmente,
 
 A esperança
 
Dança,
 
 Na corda bamba de sombrinha,
 
 Em cada passo dessa linha,
 
 Pode se machucar,
 
 Azar,
 
 A esperança equilibrista,
 
 Sabe que o show de todo artista,
 
 Tem que continuar.

 
.
Música: O Bêbado e a Equilibrista
Autoria: João Bosco e Aldir Blanc

A inteligência sem amor, te faz perverso.
A justiça sem amor, te faz implacável.
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.

O êxito sem amor, te faz arrogante.
A riqueza sem amor, te faz avaro.
A docilidade sem amor te faz servil.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, te faz ridículo.

A autoridade sem amor, te faz tirano.
O trabalho sem amor, te faz escravo.
A simplicidade sem amor, te deprecia.
A oração sem amor, te faz introvertido.
A lei sem amor, te escraviza.

A política sem amor, te deixa egoísta.
A fé sem amor te deixa fanático.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor... não tem sentido...