- Tem certeza que quer colocar esses azulejos?
- Sim - Ela respondeu sorrindo de orelha a orelha. - Vão ficar lindos como um mosaico.
- Você tem certeza? - Ele deu outra olhada nos azulejos. - Parecem muito simples.
- Você se esquece que é com as formas mais simples que podemos formas os desenhos mais lindos.
- Querida, olhe isto! - Enquanto ela falava ele estava olhando a caixa de azulejos e apontava para ela o local onde havia sido fabricados os azulejos. - Você tem certeza que quer comprar daqui? Soube que ela é uma poetisa, e você sabe, - Ele girou o indicador fazendo círculos em volta da têmpora. - não batem bem da cabeça.
- Eu acho que eles têm um charme especial. - Ela tirou a caixa da mão dele. - Sabe, como uma flor que apenas nasce onde falta algo, como uma árvore que sobrevive a um incêndio. Seus poemas nascem de um campo deserto e algumas vezes desolado. Palavras lindas crescem de um coração que foi terraplanado por um ou uma idiota, eles nos mostram que existem seres humanos que superaram a natureza cruel e que agora são pessoas boas.
- Mesmo assim eu acho eles um pouco estranhos; sabe, cheios de manias e frescuras. Escrevem textos que ninguém consegue entender, com palavras complicadas e um jeito de escrever que confunde ainda mais a nossa cabeça, e eles ainda fazem de propósito!
- Eu acho isso ainda mais charmoso.
- Por quê?
- É uma expressão pessoal. O poeta quer falar o que ele pensa, o que ele sente, um segredo trancado a sete chaves, mas não há ninguém que queira o escutar então ele escreve para todos. É mais bonito e algumas vezes mais eficaz que gritar no ouvido da pessoa.
- O que te garante que ele sente isso mesmo? Quero dizer, qualquer um consegue juntar um bando de palavras bonitas e complicadas juntas e criar um poema.
- Sim, mas ele vai ser medíocre. – Ela colocou a caixa no chão e colocou as mãos no peito. – Um bom poema é a alma do artista. Mesmo que você não entenda nada do poema você ainda vai sentir, sentir o que ele queria que você sentisse. Pode ser que ele não tenha vivido o que ele escreve, mas ele escreve para poder sentir algo próximo daquilo, ou mesmo para fazer as pessoas sentirem o que ele está escrevendo no poema. Um amontoado de palavras bonitas não vai fazer escorrer uma lágrima de um leitor, mas mesmo assim um poema sentimental e escrito bem talvez não emocione a todos, talvez só emocione o artista.
- Mas e os azulejos?
- Você quis dizer Zaluzejos.
- Não, eu quis dizer azulejos.
- Sim, mas é o nome escrito na caixa.
- Então você vai levar isso mesmo?
- Vou. – Ela pegou a caixa de novo. – E quando chegarmos eu vou montar um lindo mosaico. Quero que reflita a mente da poetisa que os fez.
- Pode até ser. Sempre achei os textos dela bonitos.
- Mas você disse que não gosta de poetas!
- Não, eu disse que os acho loucos, e ainda acho, mas os textos dela sempre me deixaram emocionado. Maluquice né?