quarta-feira, 3 de outubro de 2012



E o que são na verdade estes meus cantos?...
Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos 
da musa—este sopro do alto: do coração _ este pélago da alma.

E como as espumas são, às vezes, a flora sombria da tempestade, eles por vezes 
rebentaram ao estalar fatídico do látego da desgraça
E como também o aljofre dourado das espumas reflete as opalas, rutilantes do
arco-íris, eles por acaso refletiram o prisma fantástico da ventura ou do entusiasmo— estes 
signos brilhantes da aliança de Deus com a juventude!
Mas, como  as espumas flutuantes levam, boiando nas solidões marinhas, a lágrima 
saudosa do marujo... possam eles, ó meus amigos!—efêmeros filhos de minh'ahna—levar 
uma lembrança de mim às vossas plagas!

CASTRO ALVES

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