quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Soneto LXXV
Texto: Pablo Neruda

Esta é a casa, o mar e a bandeira.
Errávamos por outros longos muros.
Não achávamos a porta nem o som
Desde a ausência como desde mortos.

E ao fim a casa abre seu silêncio,
Entramos a pisar o abandono,
Os momentos mortos, o adeus vazio,
A água que chorou no encanamento.

Chorou, chorou a casa noite e dia,
Gemeu com as aranhas*, entreaberta,
Se desgastou desde seus olhos negros,

E agora de repente a revolvemos viva,
A povoamos e não nos reconhece:
Tem que florescer, e não se acorda.


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